Ibirapuera

IBIRAPUERA

ARQUITETURAS DE UM ESPAÇO PÚBLICO
 PARQUE DO IBIRAPUERA


O Parque do Ibirapuera foi entregue a São Paulo em 21 de agosto de 1954. Está situado no bairro de Moema em São Paulo. O local havia sido parte de uma aldeia indígena na época da colonização. Antigamente era uma região alagadiça com chácaras e pastagens. O seu nome vem da língua tupi e significa "pau podre ou árvore apodrecida", Ibirapuera (ypi-ra-ouêra): "ibirá"=árvore e "puera"=o que já foi.

Com o passar do tempo, José Pires do Rio, o então prefeito da cidade na década de 1920 idealizou a transformação desta área em um parque semelhante aos existentes na Europa e Estados Unidos da América. O terreno alagadiço era um obstáculo que frustrou a idéia de José Pires do Rio, até que Manuel Lopes de Oliveira, conhecido como Manequinho Lopes, um funcionário da prefeitura apaixonado por plantas, com o objetivo de drenar o solo e eliminar o excesso de umidade, iniciou em 1927 o plantio de centenas de eucaliptos australianos no local.
Já em 1951, Lucas Nogueira Garcez, governador da época, institui uma comissão mista, ou seja, composta tanto por representantes dos poderes públicos quanto da iniciativa privada, para que esta tornasse o Parque do Ibirapuera o marco das comemorações do IV Centenário da cidade. Após a criação da comissão, o arquiteto Oscar Niemeyer passou a cuidar do projeto arquitetônico do lugar e Roberto Burle Marx se responsabilizou pelo projeto paisagístico.
Hoje em dia, o Parque do Ibirapuera é o mais freqüentado de São Paulo e com o maior número de atrações. Dispõe de várias áreas para atividade física, ciclovia, esportes e playground. Além disso, conta com um diferencial que agrada a população, pois permite a entrada de cães dentro do Parque.
Porém um passeio ao parque pode também proporcionar além do lazer, cultura.
Como visto, o período de implantação do Parque se deu em meio ao período da arquitetura moderna. A arquitetura moderna pode ser considerada como o reflexo das grandes inovações técnicas que começaram a surgir no fim do século XIX, que com a revolução industrial passa a utilizar o ferro nas construções de uma maneira nunca vista antes.
As caracteristicas da arquitetura moderna se dão pela utilização de formas simples, geométricas, desprovidas de ornamentação, onde o emprego dos materiais em sua essência é valorizado, por exemplo, no emprego do concreto aparente em detrimento do reboco e da pintura. Há também outras características como: o térreo sobre pilotis; as fachadas envidraçadas ou com brise-soleils; o recuo dos ambientes em relação à face principal do edifício; o terraço-jardim; a fachada envidraçada; as aberturas horizontais; a integração dos espaços interno e externo; o aproveitamento da ventilação e luz naturais por meio do uso de lâminas móveis; o trabalho com volumes puros, com base no cruzamento de um corpo horizontal e um vertical; e a atenção às características específicas de diferentes materiais, tais como a madeira, o ferro, o vidro, os metais, entre outros.
Sendo assim em um passeio ao parque resolvi analisar a concepção arquitetônica de alguns de seus espaços.
Dentre os escolhidos estão: o Museu de Arte Moderna, a Oca, o Planetário, o Museu AfroBrasil e o Auditório Ibirapuera.

O MAM - Museu de Arte Moderna:

 Fig. 01: Entrada do Museu da Arte Moderna.
Fonte: Acervo pessoal – Ana Carolina Amaral Kratz

Foi o primeiro museu de arte moderna da América Latina, projetado por Lina Bo Bardi, arquiteta responsável por inovações estéticas importantes na arquitetura nacional, entre elas o desenho arrojado, o uso de novos revestimentos, como concreto ou tijolo aparentes, e a exposição de fiações e conexões. Nele é claro observar o uso dos metais em conjunto com as fachadas de vidro.
Inaugurado em 1948, foi para o Parque Ibirapuera em 1958, e se intalou definitivamente na Marquise do Parque em 1968. Tinha por objetivo constituir um acervo de artes plásticas modernas, principalmente brasileiras, além de incentivar e difundir a arte contemporânea. Os arquitetos Villanova Artigas e Luís Saia faziam parte do conselho de administração.
Possui um acervo de 5 mil obras e abriga mostras de arte brasileiras e internacional. Possui cinema, biblioteca, auditório, loja e restaurante. Oferece cursos e visitas monitoradas para escolas. Foi um dos primeiros assentos institucionais da produção artística modernista no país.




                         Fig. 02: Parte da fachada do Museu da Arte Moderna.
Fonte: Acervo pessoal – Ana Carolina Amaral Kratz





                        Fig. 03: Sala de exposições do Museu da Arte Moderna.
Fonte: Acervo pessoal – Ana Carolina Amaral Kratz



A Oca - Pav. Gov. Lucas Nogueira Garcez:






Fig. 04: Vista da fachada da Oca.
Fonte: Acervo pessoal – Ana Carolina Amaral Kratz


A Oca, também conhecida como a calota do Ibirapuera, foi Inaugurada em 1954 e projetada por Oscar Niemeyer, que tem as colunas em "v" e "w", os arcos e abóbadas, as linhas curvas, os desenhos ondulantes e as formas sinuosas como traços característicos de sua arquitetura. Trata-se de um magnífico domo marcado por suas escotilhas e curvas impressionantes.
Este espaço que hoje é utilizado para exposições temporárias e eventos, já abrigou o Museu da Aeronáutica e o Museu do Folclore. Em 2000 foi reformado segundo o projeto de Paulo Mendes da Rocha. Desde 2005 é administrada pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente.
Mendes da Rocha foi o coordenador da restauração da Oca, que visava o retorno do projeto original, começando pela porta de acesso, a qual foi remodelada e “introjetada”, por meio de um grande pórtico metálico, que foi pintado de branco, por ser a cor dominante no prédio. Internamente também houveram mudanças, paredes foram derrubadas, um shaft foi acrescentado no lugar das antigas escadas rolantes e paralelo ao elevador adicionado ali, oferecendo uma nova opção de circulação vertical ao prédio de quatro pavimentos. Foi instalado um sistema de ar condicionado especial, responsável pela manutenção da temperatura ambiente em níveis adequados a telas e esculturas, sem umidade. As belas curvas das rampas reapareceram inteiras no projeto de restauração.

                             Fig. 05: Vista de parte da lateral da Oca.
Fonte: Acervo pessoal – Ana Carolina Amaral Kratz



O Planetário Professor Aristóteles Orsini:







                           Fig. 06: Vista de parte da lateral do Planetário.
Fonte: Acervo pessoal – Ana Carolina Amaral Kratz


Inaugurado em 1957, foi o primeiro planetário da América Latina.
O prédio que é de autoria dos arquitetos Eduardo Corona, Roberto G. Tibau e Antônio Carlos Pitombo foi inspirado na arquitetura dos anos 50. É tombado pelo Conselho Municipal de Tombamento e Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (CONPRESP) e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (CONDEPHAAT).
É um importante pólo de educação, cultura e entretenimento, pois, tem como objetivo sensibilizar o público para as questões do universo, principalmente em relação à astronomia. Ficou fechado por 7 anos, quando o prédio foi interditado por apresentar problemas em sua infra-estrutura, causados por infiltrações e infestação de cupins, e depois de restaurado e modernizado, foi reaberto em 2006. O processo de recuperação do prédio deixou aparente um revestimento de madeira trabalhado que envolve a cúpula de concreto, que antes ficava escondido por um forro. A cúpula interna tornou-se uma grande tela de projeção e o espectador tem a sensação de estar mais próximo ao céu.
A novidade do restauro foi um elevador panorâmico que possibilita o acesso de pessoas portadoras de necessidades especiais ao mezanino, localizado em um pavimento superior à sala de projeção.
Possui capacidade para 300 visitantes, dentre eles sete cadeirantes. Conta com equipamentos modernos, de última geração como o projetor Zeiss StarMaster que tem capacidade para avistar o céu de qualquer ponto conhecido do universo como, por exemplo, a partir de Marte. Por usar um sistema de projeção de fibra óptica, todas as estrelas são reproduzidas em cor e brilho reais, além de 44 projetores periféricos, uma cúpula de 18 metros de diâmetro, entre outros equipamentos.







                              Fig. 07: Vista da fachada do Planetário.
Fonte: Acervo pessoal – Ana Carolina Amaral Kratz


O Museu Afro Brasil:



Fig. 08: Parte da fachada do Museu AfroBrasil.
Fonte: Acervo pessoal – Ana Carolina Amaral Kratz

Aberto em 2004 e instalado no Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega, é um museu histórico, artístico e etnológico, voltado à pesquisa, conservação e exposição de objetos relacionados ao universo cultural do negro no Brasil. Conta com um acervo de mais de 3 mil obras relacionadas com a temática do negro, entre pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, livros, vídeos e documentos, de diversos artistas brasileiros e estrangeiros.
Projetado por Oscar Niemeyer, o edifício possui 11 mil metros quadrados de área construída, divididos em três pavimentos. Além dos espaços expositivos, áreas de atuação didática, reserva técnica e escritórios administrativos, abriga a Biblioteca Carolina Maria de Jesus e o Teatro Ruth de Sousa.
Foi restaurado pelos arquitetos Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci de acordo com o projeto original e ganhou uma nova infra-estrutura, instalada para atender ao novo uso. Além de eliminar elementos que descaracterizavam o prédio, o projeto também contempla o restauro de elementos arquitetônicos degradados, como os caixilhos de ferro e as pastilhas de revestimento das fachadas. O acesso pela marquise foi retomado com a reforma, que determinou novos e eficientes fluxos no interior. O sistema de iluminação original, caracterizado por lâmpadas de vapor metálico embutidas em lajes do tipo caixão-perdido, também foi restaurado. Os trilhos aparentes e as lâmpadas fluorescentes que descaracterizavam o interior do prédio foram removidos, assim como as máquinas condensadoras de ar-condicionado e os cabos do sistema de proteção atmosférica das fachadas. A reconstrução do piso em granilite do primeiro pavimento também fez parte do novo projeto.

                                                  Fig. 09: Vista lateral do Museu AfroBrasil.
Fonte: Acervo pessoal – Ana Carolina Amaral Kratz





 O Auditório Ibirapuera:





Fig. 10: Fachada do Auditório Ibirapuera.
Fonte: Acervo pessoal – Ana Carolina Amaral Kratz

Foi inaugurado em outubro de 2005 e concebido por Oscar Niemeyer no projeto original para o Parque. É utilizado para atividades culturais, com programação semanal dedicada à diversidade musical. Neste local também funciona um auditório com 800 lugares, com palco reversível para shows ao ar livre e uma escola de música com 120 jovens e crianças que formam a Orquestra Brasileira de Escola do Auditório. É gerido pelo Instituto Auditório do Ibirapuera.
O prédio trata-se de um bloco único, que possui simplicidade volumétrica singular. Em planta tem a forma de um trapézio e, em corte, a forma de um triângulo. É composto de concreto armado e pintura impermeabilizante na cor branca. A marquise, executada em metal pintado de vermelho, cobre o acesso principal e devido à sua forma e cor dá identidade ao prédio, motivo pela qual foi transformada em logomarca do auditório e batizada oficialmente de "Labareda".
O auditório também possui uma porta traseira com 18 m de largura que quando está aberta, permite a pessoas situadas no lado de fora acompanhem o que está a ser apresentado no palco. Esse gramado do Parque é chamado de Platéia Externa do Auditório.








                  Fig. 11: Vista da parte de trás do Auditório Ibirapuera.

Fonte: Acervo pessoal – Ana Carolina Amaral Kratz

Pode-se concluir que todos os elementos descritos apresentam características da arquitetura moderna, observadas nos materiais empregados, nas cores e nos desenhos exclusivos de cada um.
Além dos cinco elementos escolhidos para o desenvolvimento do trabalho, o parque oferece muito mais.
Os visitantes ainda podem escolher atrações como:
è O Pavilhão Japonês;
è O Jardim de Esculturas;
è O Museu de Arte Contemporânea - MAC (USP) 
è A Fundação Bienal;
è A Escola Municipal de Astrofísica - EMA:;
è A Universidade Aberta do Meio Ambiente e da Cultura – UMAPAZ;
è O Pavilhão Engenheiro Armando de Arruda Pereira;
è O Centro de Convivência e Cooperativa;
è O Viveiro Manequinho Lopes;
è O Herbário Municipal;
è A Proteção a Fauna;
è A Escola de Jardinagem;
è O Espaço da Antiga Serraria;
è A Praça Burle Marx;
è A Fonte do Ibirapuera;
è O Ginásio Ibirapuera;
è O Quiosque da Saúde.
O Parque ainda oferece em sua estrutura:
- Pista de Cooper de 1.500 metros;
- Pista de corrida de 6 mil metros;
- Ciclofaixa de 3 mil metros;
- Campo de futebol de saibro;
- Quadras poliesportivas;
- Restaurante;
- 2 lanchonetes;
- Praça de jogos com mesas de pingue-pongue e mesas de xadrez / damas;
- 2 Playgrounds;
- Banca de jornais e revistas.
Referências bibliográficas:


Autores:
Ana Carolina Amaral Kratz
Priscila Domingues
Renato Gomes



 




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